sábado, 11 de setembro de 2010

Qual o poder que cada um de nós tem?

Anda a correr na internet um movimento apelando a uma mega manifestação apartidária no dia 5 de Outubro em Lisboa, estando associado a esta manifestação a ideia de fazer “greve” ao pagamento de impostos enquanto o “Governo for corrupto”.
Na sequência destes movimentos e dado que no dia 6 de Setembro foram aqui abordados os aspectos de combate à corrupção que podem ser desencadeados por parte da nossa classe política, seria interessante questionar sobre qual o poder que nós, como cidadãos, temos para lutar contra a corrupção no nosso país.
Deve ser sublinhado que um Governo nunca é corrupto, a totalidade ou alguns dos políticos/pessoas que compõem esse Governo é que poderão ser corruptos, usando a legitimidade da instituição que servem para alcançar os seus próprios objectivos pessoais.

Assim sendo e seguindo a proposta do citado movimento, a questão não passa por decidir não pagar mais impostos enquanto estivermos a ser governados por políticos corruptos, já que é completamente impossível alguém o fazer por muito decidido que esteja em cumprir esse voto. Cada produto que compramos tem incluído algum imposto nem que seja apenas o IVA e ninguém pode ficar sem consumir, a não ser que seja sortudo em ter uma propriedade com dimensão suficiente para cultivar e criar a sua própria comida, gerar a sua própria energia e produzir a sua roupa, mesmo assim ele vai ser cobrado nos impostos sobre a propriedade e, se quiser ter meios de comunicação, também pagará IVA. Toda a nossa vida está taxada, mesmo sem incluirmos o IRS, temos o IVA, o IUC, o Imposto sobre produtos petrolíferos, etc., etc., etc. Em cada acção que realizamos para além de respirar estamos a pagar imposto, seja comer, conversar ao telefone, ler um jornal, ver televisão…

Querem fazer protesto contra estes políticos corruptos?
Podem fazer a manifestações que idealizam já que são sempre uma imagem e pressão mediática, ainda mais quanto temos uma classe política completamente focada na estratégia eleitoral para manter as suas posições e honorários e por consequência bastante sensível a manifestações de eleitores, mas no dia-a-dia podem fazer o que sempre se devia ter feito mas que não está na cultura dos portugueses fazer. Em lugar de ficarem falando mal dos outros que beneficiam de cunhas e depois ficarem querendo beneficiar delas alegando que “se não for assim não se vai a lado nenhum” ou “se os outros o fazem, parvo de quem é honesto” e comecem a condenar nas vossas atitudes e opiniões os corruptos, desde o irmão até ao Primeiro-Ministro ou ao PR, comecem a mudar esta cultura instalada. Comecem a evitar criarem “telhados de vidros” para que possam, em honestidade, criticar este oceano de corruptos que está instalado no Estado, seja na política seja no funcionalismo público.

Querem fazer protesto contra estes políticos corruptos?
Comecem a não aceitar passivamente o serem roubados nas relações com o Estado em detrimento dos amigos e dos partidários, guardem os documentos que comprovam os indícios de corrupção e apresentem os mesmos na PJ ou no MP. Corrupção é um crime público pelo que não há custos para quem apresenta queixa, é o MP que tem que conduzir e acusar os criminosos. Ahhh mas eles safam-se sempre, o MP não faz nada! É verdade que muitas vezes se safam, mas normalmente são aqueles já com alguma dimensão e poder, mas se todos apresentarem queixa a pressão sobre o poder judiciário fica insuportável e eles deixam de se sentir à vontade para fazer favores.

Querem fazer protesto contra estes políticos corruptos?
Vão votar em lugar de ficar em casa e termos abstenções de quase 40%, vão votar e votem em branco. Face a uma situação dessas como acham que vão os políticos justificar internacionalmente o protesto e a falta de legitimidade que têm para governar, como vão justificar politicamente o não terem o voto dos portugueses para exercer o seu mandato, quando quem ganha as eleições é o voto em branco, o voto de protesto demonstrando que a população não está divorciada da política, mas que pelo contrário não quer é ser governada por estes políticos que nos (des)governam? “fomos legitimamente eleitos pelos portugueses” deixa de poder ser desculpa para os crimes políticos cometidos. Perde a legitimidade esta situação onde só os incompetentes dos incompetentes ganham eleições, são os com menos escrúpulos que chegam ao topo da hierarquia política, pois são os que se vendem em troca de votos dentro do partido para serem eleitos a lugares de destaque, o que depois implica o pagamento desses favores às nossas custas, à custa dos nossos impostos em tachos e tachinhos.

Desta forma todos nós, no dia-a-dia, podemos mudar as coisas. Se formos a ver quais os países com menores níveis de corrupção são os países do norte da Europa, é por acaso? Claro que não, é exactamente por serem povos que culturalmente são mais exigentes com os seus governantes e os penalizam quando são incompetentes ou corruptos. É por isso que também são os países com melhor nível de qualidade de vida, não são países ricos em ouro, diamantes ou petróleo, são sim países eficientes e com produtividade, com uma cultura baseada na honestidade e na capacidade de cada pessoa em lugar nas relações e compadrio que cada um desenvolveu. Corrupção há em todo o lado, mas uma coisa é ter uma corrupção de 9.4*, outra é ter uma corrupção de 5.8* como nós.



* Ver quadro anexo a “Mais um faz de conta no combate à Corrupção “, de 6 de Setembro de 2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Legalização da prostituição sim ou não? (versão em português)

Hoje no site do The Economist vem a seguinte questão para debate dos leitores “Shoud prostitution be legal?” (deve a prostituição ser legalizada?)

A mais velha profissão do mundo”, todos nós conhecemos esta expressão e todos nós temos consciência de que é impossível acabar com ela. A prostituição não é apenas praticada por mulheres/homens que estão sendo escravizados como propriedade de organizações criminais.

Quem entre nós não conheceu ou sabia de alguma rapariga/rapaz dos nossos dias de universidade que se prostituía para pagar os estudos mas que se tornou mais que isso, já que gostaram da vida luxuosa que a prostituição lhes dava e que sem ela não teriam?

Prostituir-se é uma decisão individual sobre o seu corpo e mente sem atacar ou agredir outras pessoas, excepto obviamente nos casos de mulheres escravizadas para efeitos de prostituição.

A sociedade nunca está livre da prostituição, é uma parte integrante da nossa sociedade desde que evoluímos para animais sociais e se pensarmos racionalmente e sem preconceitos, veremos que se trata em parte de um “serviço social”, já que provavelmente a taxa de violações subiria consideravelmente caso alguns homens com distúrbios não tivessem acesso a estes serviços.

Assim sendo, a melhor política acerca da prostituição é a sua legalização e já temos alguns exemplos dos efeitos desta politica na sociedade e na indústria da prostituição, como é exemplo a Holanda.

1 – Legalizando a prostituição e legislando sobre as obrigações profissionais do sector iremos terminar com quase toda a actividade criminal e escravatura associada a esta actividade, já que sendo legalizada e fortemente fiscalizada, os mercados das actividades criminais e os elevados lucros a elas associadas irão desaparecer.

2 – A legalização da prostituição permitirá ao Governo exigir aos seus profissionais o rigoroso cumprimento de regras no âmbito da medicina do trabalho, nomeadamente consultas e análises regulares para poderem manter a sua licença de actividade e a sua assistência médica. Desta forma poder-se-á prevenir a difusão de doenças associadas à actividade sexual protegendo ambas as partes, profissional e cliente.

3 – Os serviços terão de ser prestados fora das ruas, nos casos dos serviços de baixo preço é comum verificar a sua actividade nas ruas, passando a serem praticados em locais privados libertando assim a comunidade de situações que desvalorizam a utilização pública desses espaços.

4 – A actividade estará sujeita a impostos e segurança social como qualquer outra actividade económica, com a entrega de recibos não discricionários de modo a manter a privacidade do serviço. Deste modo consegue-se uma redução da economia paralela e um aumento das receitas fiscais, além de tornar os profissionais da prostituição membros regulares da sociedade podendo até pedir empréstimo com base nos rendimentos declarados, coisa que actualmente lhe é impossível.

Depois de todos estes aspectos o que é melhor, manter a prostituição ilegal e continuar com a actual realidade, ou tomar a decisão de legalizar, como já o fizeram a Holanda e outros países, e mudar a realidade de um problema social para um não problema de saúde/segurança pública e para a contribuição das receitas fiscais?

Cada um de nós terá de decidir por si qual a sua opinião racional.

Legalized prostitution Yes or No?

Today on The Economist site we have the next question for the reader’s debate “Shoud prostitution be legal?

Prostitution is the oldest profession of the world” we all know this expression and we all know that it’s impossible to end it. Prostitution isn’t only practice by women/men that are being slaved as an access of the criminal organizations.

Who among us did know some girl/boy from our university days that was prostituting them self to pay the college but it become much more then that because they acquire the taste to the luxurious style of life that prostitution gives them?

Being a prostitute is an individual decision about their own body and mind without attacking or damaging no other person, except in the case of slaved women’s of curse.

Society will never be free of prostitution, is part of it since we evolve to social animals, and if we think clearly and without prejudices we can see that is a “social service” because if some disturb man couldn’t get this woman service probably the number of violations will increase considerably.

So, the better policy about prostitution is to legalize it and we already have some examples of the effects of that policy in the society and in the prostitution industry, like in Holland.

First - legalizing prostitution and legislate about the professional obligations of the sector will end almost all criminal activity and slavery in the prostitution sector, because being legalize and supervised, the target market and the high profits of the criminal activities will disappear.

Second – legalizing prostitution will allow the Government to require from the professionals of the sector to frequently make health checkups to maintain their licence and to keep their health insurance. This way we can prevent the diffusion of diseases to both parts, professional and client.

Third – the place where the services will be provide get out of the streets, in the cases of low prices services as it happens actually, to a safe in doors locals and so the community is no longer obligate to se this service occurring on our streets.

Fourth – the activity will be obligate to pay tax and social security as any other economical activity with a non discretional receipt of the transaction, to maintain the privacy of the service. This way will reduce the underground economy and will increase the public budget making all that prostitution professionals regular members of the society.

After all this points what is better, keeping prostitution illegal and having the reality about this activity that we have actually, or take the decision of legalized it, as Holland and other countries have made, and change it from a social problem to a non public health/security problem and an active contribution to the public budget?

Each one of us will have to make our individual rational decision.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Mais um faz de conta no combate à Corrupção

Foram publicadas em Diário da República do dia 2 e 3 de Setembro as alterações legais que implementam o novo pacote anti-corrupção promulgado pelo PR no final de Agosto.

A realidade é que este é apenas mais um “pacote” que finge combater a corrupção, de modo a poder dar falsos argumentos aos políticos que defendam da sua vontade de combater a corrupção, quando em realidade todos eles a mantêm pois se a combaterem o sistema partidário, logo o sistema político, que existe em Portugal estaria condenado.

Basta olhar para os relatórios internacionais sobre a corrupção e a péssima nota* dada a Portugal nessa área, para se perceber que não se pode falar em uma verdadeira política de combate à corrupção sem que estejam contempladas as seguintes medidas:

- Terminar com o período em que os crimes de corrupção prescrevem, seja depois de 5 ou de 50 anos estes crimes devem ser puníveis, como crime contra a nação que são;

- Acabar com os concursos públicos de recrutamento individual e geridos pelas respectivas entidades localmente, isso é sustentar um regime de agência de emprego para amigos, familiares e partidários à custa do contribuinte. Deverá ser criado um concurso nacional para cada função no Estado, com a validade de 2 anos e cada entidade que precisa de um funcionário vai buscar a essa bolsa de candidatos. Assim acabam as corrupções no recrutamento e os lugares criados para cunhas;

- Tornar ilegal a contratação a recibos verdes ou por nomeação, seja qual for a justificativa evocada;

- Tornar as condenações por corrupção equivalente a crimes de homicídio no que toca a penas de prisão, a corrupção é o homicídio de um país, de um povo, matando a esperança dos seus cidadãos em ter uma vida digna com base no trabalho, a esperança de ser tudo o que se pode ser com base no trabalho e no mérito, a esperança de um futuro para si e para os seus filhos, a esperança de serem governados por pessoas de carácter e honestas além da possíbilidade de, como cidadãos honestos e de mérito, aspirarem a contribuir para o futuro da sua comunidade sem terem que se vender. A corrupção e a desonestidade dos governantes obriga a que as pessoas tenham de abandonar o seu país em busca de um futuro que no seu próprio país uma classe parasitária/partidária lhes roubou;

- Condenar as pessoas a pagar o valor que roubaram ou obtiveram indevidamente na totalidade e com juros;

- Legislar de modo a que se possa ir recuperar os valores roubados ou obtidos indevidamente, mesmo que estes tenham sido colocados em nome de familiares ou terceiros, o que é fácil de comprovar, já que seguindo o rasto do dinheiro é fácil saber onde este está;

- Quando condenados por corrupção ou defensa de interesses particulares, deverá ser exigido aos condenados, com vinculo laboral com o Estado, a restituição com juros do valor dos salários recebidos, uma vez que não estiveram a exercer as funções para o qual eram pagos, ou seja, a defesa do interesse público, e sim a defender interesses particulares;

- Tornar a Justiça e o respectivo sistema judicial credível e merecedor da confiança dos portugueses e dos investidores estrangeiros. Sem uma justiça que funcione e seja célere, onde os desonestos não possam pensar “até que a decisão transite já prescreveu”, ou “quem é que me vai levar a tribunal com os custos que implica o processo e o advogado”, nunca haverá um verdadeiro combate à corrupção já que não existe pena aplicada a quem comete tais crimes e nunca que as pessoas acreditarão na justiça como justa e igual para todos;

Sem a aplicação destas medidas, nunca que a corrupção será verdadeiramente combatida e apenas é jogada "areia" nos olhos dos cidadãos para fazer de conta que é combatida. Claro que tem que haver legislação sobre procedimentos mais concretos que procrem prevenir e dificultar as corrupções, mas as grandes bases têm que ser dentro do âmbito das anteriormente indicadas, sem penas pesadas e a restituição dos valores, qualquer corrupto pensa que rouba um milhão, o tribunal manda pagar 50 mil e fica com pena suspensa de 2 anos caso seja condenado, assim sendo qual é o problema? Monta uma empresa ou vai trabalhar para um amigo e ainda guarda no bolso 950 mil. Claro que aos olhos de quem não tem moral ou honestidade compensa.

* Corruption Perceptions Index 2009 – Measuring Corruption; Transparency International Annual Report 2009

domingo, 22 de agosto de 2010

As loucuras na compra e venda de casa

Já faz alguns anos que aviso os amigos e familiares quanto à ilusão criada na ideia de que uma casa é um activo que sempre valoriza, ainda mais depois das loucuras da última década, algo recentemente comprovado por pelo estudo do Bank for International Settlements (BIS): “Ageing and asset prices”.

As pessoas entraram numa espiral de loucura na qual quem tinha qualquer bocadinho de casa ou terreno para vender achava que era um pedaço de “ouro” e quem queria comprar ia atrás da loucura de quem vendia, empolando as suas expectativas de valorização e como tal inflacionando o preço nessa medida no acto da revenda. Claro que esta dinâmica inflacionista dos preços dos imóveis se deve à inexistência de um mercado de arrendamento e da ambição do sector bancário em conceder crédito com base em valores de um mercado inflacionado.

O problema nisto tudo é que as pessoas se esquecem que as casas ou terrenos não têm um valor mínimo garantido. Não é por ser adquirido hoje por 1 euro que daqui a 10 anos ela vai valer 10 euros, pode perfeitamente valer 0,50 euros, por exemplo. O valor das casas está baseado na disponibilidade que as pessoas têm e do valor que as pessoas estão dispostas a pagar por elas, ou seja, estão sujeitas à lei da oferta e da procura como qualquer outro bem normal. Assim sendo, com a realidade da baixa natalidade e da redução do poder de compra, o valor das casas só tende a baixar numa análise de médio longo prazo, na qual os picos, positivos ou negativos, são eliminados.

Actualmente o problema é que, apesar das pessoas encararem a eterna questão da necessidade de habitação e não existindo um mercado de arrendamento eficiente (aqui muitas pessoas também acham que podem comprar casa e cobrar no aluguer o valor que lhe custa por mês manter a casa, empréstimos mais manutenção, o que é ridículo), existe a questão de que nestes tempos conturbados devem procurar reduzir ao mínimo as dívidas e aumentar ao máximo a sua flexibilidade, alugar habitação permite mudar mais facilmente de casa e de cidade, seja por motivo do valor do encargo mensal com a habitação, seja pela necessidade de se deslocar em busca de emprego. Nestes tempos que se avizinham, a capacidade de flexibilidade no emprego pode significar a diferença entre estar empregado e o estar desempregado.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Portugal como caso de exemplo no NYT

Hoje saiu uma notícia no New York Times a elogiar a opção nas energias renováveis de Portugal. Claro que a notícia é boa e ser no NY Times claro que é bom, todos os media têm o mal da politização, sejam cá em Portugal seja e qualquer outro lado do mundo, mas apesar de tudo isso é natural que uma notícia boa no NYT tem mais crédito que algumas más quando respeita a países como Portugal, já que não é fácil “influenciar” um jornal desta dimensão para propagandas nacionais, a não ser quando se compra espaço já que aí para o jornal não passa de uma simples venda de publicidade, como a qualquer empresa.

No que concerne à notícia em si, é verdade que é um aspecto positivo deste executivo, mas de aí a ter sido uma aposta séria… A verdade é que é IMPERATIVO proceder a uma revolução no modelo energético nacional e disso depende a nossa economia e sociedade. Já faz quase duas décadas que Portugal deveria ter iniciado estadas medidas como a Alemanha e pelo atraso que temos a este ritmo não conseguiremos muito.

É verdade que o Governo tem trabalhado nas duas principais vertentes, o fornecimento da rede eléctrica com base em fontes renováveis e a tentativa de reduzir a dependência do petróleo na frota de veículos das nossas estradas. Contudo poderia e deveria ter feito muito mais do que fez. Por exemplo a campanha de micro-geração doméstica não deveria ter prazos, deveria ser um programa permanente, pelo menos até se obter níveis de implementação nacional concorrencial. Este tipo de tecnologia é ideal para países de pequena dimensão, onde por isso mesmo o m2 é algo valioso para se estar a ocupar com imensas áreas de painéis solares. Por isso mesmo a utilização de espaços mortos, como os nossos telhados constitui uma forma de baixo custo para a criação energética. Ainda mais que os picos de utilização da rede eléctrica é durante as horas de expediente, o que coincide com as horas de maior capacidade de geração dos painéis solares domésticos e a hora em que o consumo doméstico é mais reduzido. Assim o governo deveria manter sempre activo e a funcionar, sem as barreiras burocráticas e legais, o incentivo à micro-geração e permitir a dedução completa desse custo em vários anos em sede de IRS. Na prática o Estado não perde nada com a redução desse encaixe nas receitas do Estado, já que aumenta as receitas em sede de IRC com base no aumento da actividade económica bem como as de IRS pelo aumento dos empregados no sector, além da poupança nacional que implica a redução da importação de energia. Deveria igualmente impor a sua força nos projectos parados de investigação da energia das ondas.

Na outra vertente é verdade que o Governo tem tentado estabelecer protocolos e contratos com empresas automóveis. Mas tem que se esforçar muito mais mesmo que signifique aumentar a componente financeira de intervenção do Estado nesses contratos. Tentar atrair para Portugal projectos de teste como os do Hidrogénio que existe na Califórnia. Neste caso é uma mais-valia a reduzida dimensão do nosso mercado, já que é ideal para testar novas tecnologias dado um menor custo na criação de redes de abastecimento viáveis. Os veículos movidos a baterias eléctricas nunca serão uma verdadeira alternativa ao petróleo já que a maioria das pessoas não se pode dar ao luxo de ter um carro para andar durante a semana e outro para o fim-de-semana, com maior autonomia. O Hidrogénio, criado a partir de centrais junto ao mar e com electricidade fornecida por energias renováveis próximas são a opção mais viável. Ora Portugal é o ideal em termos mundiais para testar essas tecnologias.

Outro exemplo da não total seriedade do esforço do Governo é o estado do INETI, bem longe dos seus tempos áureos e que tanta falta nos faz.

Também é exemplo que todas as receitas extraordinárias que o Estado recebeu em 2008 em resultado do aumento do preço do petróleo e que tanto custou aos bolsos das famílias portuguesas, em lugar de ter sido desperdiçado pelo Governo para tapar buracos de má gestão, deveria ter sido transferido para um fundo de financiamento exclusivo de políticas de apoio ao desenvolvimento das energias renováveis.

Nós ou mudamos a nossa dependência do petróleo, não apenas na criação de energia para fornecer a rede eléctrica (onde temos até baixos níveis de dependência), mas fundamentalmente nos meio de locomoção onde gastamos a maioria da importação de petróleo, ou continuaremos dependentes e à mercê do mercado energético internacional. O aumento do petróleo leva ao aumento de tudo em Portugal, temos de trabalhar e já pelo menos para o nosso sistema de transporte de mercadorias sem totalmente independente do petróleo. Mais escandaloso é quando podemos constatar que Portugal é rico em termos de fontes de energia alternativa.

terça-feira, 6 de julho de 2010

As máscaras caem na PT

Agora que sabemos quem foram os traidores na votação da Assembleia Geral da PT, quais foram os accionistas portugueses do dito núcleo duro que, não só suportaram no passado recente as negociatas obscuras da PT para cair em graças de um “boss” e com isso conduziram em grande parte à fragilidade actual da empresa, como agora sem princípios ou honestidade, traem as declarações que fizeram antes da AG e votaram a favor da venda à Telefónica por uma “bagatela”, deixando assim a PT sem uma estratégia definida, e tudo pela ambição de um encaixe no curto prazo contra os dividendos sustentados que a PT obterá no mercado brasileiro no médio e longo prazo. Espero que depois de tudo isto os portugueses usem o seu “voto” como consumidores para votarem contra esses accionistas. Da mesma forma como eles têm o direito de serem livres nas suas decisões de gestão, nós também temos o direito de livre escolha como consumidores, de modo a os penalizar pelas suas decisões contra o que, como cidadãos, consideramos correcto. Está na hora de cada um de nós reconhecer o forte poder que detém em cada decisão diária no consumo que fazemos. Sozinhos, individualmente, isoladamente não faz praticamente qualquer diferença, mas se cada um de nós agir desta forma, no total o efeito é gigantesco.

Contudo, apesar de considerar justa a decisão do governo em usar a Golden Share dada a realidade europeia em que outros parceiros usam Golden Shares ou “secretarias douradas” com os mesmos propósitos, incluindo os “nuestros hermanos”, sou completamente contra este tipo de instrumentos políticos que apenas fragilizam a dinâmica e iniciativa do mercado. Os instrumentos desta natureza deviam estar disponíveis apenas ao nível da EU, como meio de defesa da economia da EU, tanto mais que a esse nível o poder que estes instrumentos teriam seria equiparado aos usados pelos EUA e outros concorrentes internacionais. Mas tendo em conta que infelizmente os governos dos nossos parceiros continuam a considerar a sua economia como independente das economias dos demais parceiros europeus, insistindo em considerar as suas empresas como nacionais e não europeias, dificultando assim a concretização do ideal de um verdadeiro mercado europeu onde as empresas europeias teriam um mercado que lhes permitiria, “nacionalmente” criar uma dimensão e peso que lhes possibilite combater mundialmente de igual para igual com os concorrentes, nada mais justo que, também nós, defendamos as nossas empresas da mesma forma que eles o fazem. Por isso caros “hermanos”, engulam o xarope já que é a mesma medicamentação que vocês aplicam aos demais.

Quanto ao preço, não considero pouco mais de 7 mil milhões de euros um bom preço para vender, já que para a PT o valor da VIVO não é o seu valor bolsista e sim o valor perspectivado de crescimento e de dividendos que a VIVO terá nos próximos 10 a 20 anos, considerando ainda que dificilmente a PT poderia fazer um bom negócio de compra das concorrentes OI ou Claro, já que estas não estão à venda e caso seja considerada a sua venda, ao se saber que a PT tem a carteira cheia de dinheiro o preço de venda seria sempre inflacionado. A prova de tudo isto é que a Telefónica não quer a Claro ou a OI e quer apenas a VIVO. Alguém acredita que a Telefónica venderia os seus 50% por pouco mais de 7 mil milhões? Acho que ninguém acredita que o faria. Por que será!

Outro ponto que não devemos descurar para o que ainda resta do mandato do Lula é a sua hipocrisia. Vem cá com aquele ar de quem quer seduzir as empresas portuguesas para lá irmos investir, quando sabe que para desenvolver o mercado depende da tecnologia e dinheiro português, como é exemplo perfeito a Vivo, já que foi a inovação do mercado português no sector das telecomunicações móveis, onde somos dos melhores, que deu à Vivo a posição de lider que detém hoje. Depois em lugar de afirmar algum respeito pelo parceiro em vários sectores da economia e da política, demonstra a verdadeira face.
 
Agora quanto às consequências da decisão do Governo, é aguentar o efeito bolsista e do mercado sobre as empresas nacionais dada a inferência do governo nas decisões de accionistas privados, algo que poderia ter sido evitado se a Ongoing e o BES tivessem votado contra a venda e, com estes votos, a votação teria obtido um resultado oposto ao que teve. Com esta decisão as empresas portuguesas demonstra a realidade, que estão fortemente dependentes do Governo e isso vai se repercutir igualmente na imagem exterior do BES e da Ongoing, ainda mais depois do caso TVI, o que é justo pois foram eles quem causaram esta confusão toda.
Para as pessoas que pensam “eu não tenho nada a ver com isso, isso são guerras de ricos não me muda nada no dia-a-dia já que seja como for eu pago o mesmo no fim do mês e nem sou accionista da PT”, bem é verdade, o que se esquecem é que sem uma imagem de empresas e mercado forte torna-se muito mais complicado de atrair investimento estrangeiro, e sem investimento estrangeiro é muito mais difícil sair da crise financeira e económica em que se encontra o país e são muito mais austeras as condições de vida de todos nós já que mais dificilmente haverá a criação de emprego que desesperadamente necessitamos.